Vale retoma diálogo com Comissão de Desenvolvimento de Marabá

  • By sthefany
  • 30 de setembro de 2021
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Na manhã desta quarta-feira, dia 29 de setembro, o diretor de Relações Institucionais da Vale, Luiz Ricardo Santiago, participou da segunda reunião com membros da Comissão Especial de Desenvolvimento de Marabá, para discutir a pauta que foi apresentada a ele em 11 de agosto deste ano, em Brasília.

Santiago esteve acompanhado, na ocasião, por Luiz Veloso (gerente de relações institucionais no Pará); Saulo Lobo (relações institucionais em Marabá); e Fabrício Froes (coordenador de Engenharia do projeto Tecnored).
A reunião foi coordenada pelo presidente da Comissão, Miguel Gomes Filho, o Miguelito, mas também contou com a participação dos membros Vanda Américo, Márcio do São Félix, Aerton Grande, Pedro Corrêa, Alecio Stringari, João Tatagiba (ACIM), Ricardo Pugliese (representante do Executivo), além de Beto Miranda e Cabo Rodrigo.

O presidente Miguelito lamentou que, até agora, Marabá não recebeu da mineradora o proporcional que deu a ela, por meio da extração mineral ao longo de quatro décadas. O município não tem absolutamente nada da Vale. Não estamos pedindo que a mineradora faça, mas que induza o desenvolvimento desta cidade e de seu povo”.
Ricardo Santigo iniciou dizendo que a Vale mantém o compromisso de participar do Fórum Permanente com Marabá, por meio da Comissão de Desenvolvimento, para apresentar soluções à sociedade.

O diretor de Relações Institucionais disse que acompanhou a repercussão da reunião de Brasília e sobre a mudança do traçado da Ferrovia do Pará, que ocorreu posteriormente. Ele pediu desculpas pela “assimetria da informação”, e lembrou que não deu detalhes sobre o projeto na primeira reunião. “Eu não iniciaria um vetor de diálogo permanente com os senhores com falhas ou informações não corretas, ou voltando à questão antiga das promessas”, sintetizou.

Em seguida, Santiago pautou, um a um, os temas discutidos em Brasília, apontando a situação atual de cada demanda:

1 – Construção de nova ponte rodoferroviária:
Sobre as obras de construção da segunda ponte sobre o Rio Tocantins, em Marabá, o diretor da Vale informou que o projeto “está maduro dentro da companhia” e iniciou processo de aprovação interna na empresa. “A engenharia está pronta e prevemos que a aprovação ocorra no Conselho de Administração da Vale até o final deste ano. Se isso acontecer, a obras iniciam em 2022. Após a aprovação, vamos começar a discutir as contratações de mão de obra, entre outras demandas”, antecipa.

2 – Verticalização da mineração:
Santiago lembrou que, a procura de garantir um projeto de verticalização para Marabá, a Vale manteve diálogo com diversas empresas, porém, não houve sucesso. A partir daí, orientada por autoridades locais, a mineradora iniciou diálogo com a Sinobras, que segundo ele tem sido positivo, embora não esteja concluído. “Já acertamos detalhes de engenharia, aspecto técnico, tamanho e volume. Agora, discutimos a governança, para definir como se dará essa nova parceria, que vem de compromisso da Vale com a sociedade. Ele terá aporte financeiro da ordem de R$ 1,5 bilhão para viabilizar a produção de tarugos, que ajudaria a verticalizar a mineração na região”.

3 – Tecnored vem aí:
O diretor de Relações Institucionais da Vale repetiu, assim como fez em Brasília, que o tecnored é o futuro da mineração. Sustentou que diversos países do mundo firmaram, na COP 21, a redução dos gases de efeito estufa e estão cascateando essas ideias para diferentes indústrias, como a siderúrgica, que tem desenvolvido tecnologia para diminuir emissão de CO2.
Com isso, o tecnored é um projeto de produção de gusa que consome menos energia elétrica e emite menos CO2 no meio ambiente, o que é denominado de “minério verde”. “Marabá será o local para implantação dessa primeira planta no mundo, que é uma grande aposta que a companhia está fazendo. O município não seria o melhor local para esse projeto, mas com o pedido da sociedade, vamos implantá-lo aqui”.

Fabrício Froes explicou que o tecnored será construído na planta da antiga Ferro Gusa Carajás, no Distrito Industrial de Marabá, e que assinou termo de compromisso em julho com a prefeitura local, com várias para apoiar a comunidade, com expansão da escola da Vila Café, apoiar o projeto do Aterro Sanitário de Marabá e parceria com o Sine Municipal para contratação de mão de obra. “Estamos em vias de receber alvará, mas ainda aguardamos a Licença de Instalação”, justificou.

4 – Ligação direta entre Marabá e o Projeto Salobo:
O presidente Miguelito questionou o diretor da Vale sobre outra demanda já apresentada, que é a construção de uma estrada que dê acesso direto de Marabá até o Projeto Salobo, sem passar por Parauapebas. Santiago disse que a empresa está avaliando essa demanda e prometeu trazer todas as informações possíveis na próxima reunião. “Vamos nos pronunciar, seja presencialmente ou por ofício”.

Depois da apresentação do diretor da Vale, os membros da Comissão fizeram várias considerações. Vanda Américo, presidente da Fundação Casa da Cultura, fez questão de reclamar da mudança no traçado da Ferrovia do Pará, lembrando que o próprio diretor da Vale anunciou a eles que a empresa construiria a ferrovia, mas sem informar que Marabá ficaria fora do projeto.
“Foi decepcionante, porque será uma perda muito grande. O povo de Morada Nova criou uma expectativa porque não foi contemplado. “Sabemos que essa alteração ocorreu com anuência do governo do Estado, que omitiu a informação para o povo de Marabá. Para nossa surpresa, essa ferrovia não é a sonhada para trazer desenvolvimento para as regiões sul e sudeste”.

Sobre a geração de emprego, Vanda disse que vê necessidade de diálogo melhor da Vale, porque seu setor de Suprimentos está no Rio de Janeiro e quase nada valoriza Marabá. “As empresas daqui só servem de base na hora de emitir orçamentos. Criam expectativas, mas não acontece nada. É um tratamento desumano e excludente. Se for na área de pesquisa, não adianta. O Luís Veloso viabilizou reunião para discutir com pessoal de Belo Horizonte e avançamos algumas questões”, reconheceu.
Vanda pediu que a mineradora, por meio do Instituto Vale, em Belém, oferte em Marabá especialização em arqueologia e espeleologia.

O vereador Márcio do São Félix disse que enxerga a Estação Conhecimento, em São Félix, como elefante branco, com pouco atendimento para a comunidade. Ele lamentou que a Vale esteja implantando na cidade o projeto “Peito Aberto”, de escolinha de futebol, mas com contratação de empresa da Bahia, e tem certeza que Marabá possui entidade que pode realizar trabalho de relevância, primando pela qualidade da mão de obra local. “Fica meu protesto e falta de atenção a empresas locais que podem fazer vários trabalhos para a Vale”.
Por fim, Márcio garantiu que vai continuar cobrando a manutenção da Ferrovia do Pará e que lutará até o fim para construção de um porto seco em Morada Nova. “A Vale terá de nos ajudar para que haja área de carga e descarga naquele núcleo, recebendo todo tráfego de grãos que vem do sul e sudeste do Pará, para que seja descarregado em Morada Nova e de lá siga ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena”.

O presidente da ACIM, João Tatagiba, também cobrou do diretor da Vale que a companhia seja mais sensível com a contratação de serviços na área empresarial em Marabá. Afirmou que a quantidade de empresas locais que trabalham com a Vale é muito pequena, embora haja muitas que têm condições de atender o padrão Vale. “Avançamos na formação de mão de obra e questionamos como o setor de suprimentos nos trata. Parece uma outra empresa, não a Vale”, alfinetou.

Demonstrando revolta e indignação, o vereador Aerton Grande mostrou-se cético sobre os resultados de reuniões com a Vale e falou que a comunidade de Morada Nova faz cobrança dura, porque criou-se expectativa de emprego, mas esse sonho está sendo frustrado. “Não entendo de ferrovia, nem de mineração, mas entendo de dor e sofrimento das pessoas. Vou alugar um trio elétrico e vou falar nos quatro cantos da cidade o que a Vale está fazendo com Marabá. Há centenas de empresários do lado de lá da ponte que estão prontos para fechar a ferrovia. Estão só esperando nossa indicação”, afirmou.

Ao responder aos vereadores, o diretor de Relações Institucionais da Vale reiterou que não houve má intenção da empresa nem tentativa de esconder informação sobre a mudança do trajeto da ferrovia. “Prometemos dialogar com esta Comissão para construir juntos, a quatro mãos. Vejo claramente, vereador Aerton, a sua indignação. Mas se nos permitir dialogar, vamos fazer isso, discutir questões da comunidade que o senhor representa”, prometeu.
Sobre as críticas em relação ao setor de suprimentos, Santiago prometeu conversar com colega da área e apresentar para ela a indignação dos membros da Comissão de Desenvolvimento, “mas sem filtros”, e garantiu que na próxima reunião apresentará soluções para o dilema.

Sobre a Estação Conhecimento, garantiu que vai discutir sobre a quantidade de projetos e vai colocar em pauta esse assunto na próxima reunião, além da contratação de uma OS (Organização Social) que não é local, para observar propostas que estão mais próximas de Marabá. Também anotou pedido de oferta de especialização em espeleologia e arqueologia e prometeu conversa paralela com a FCCM para discutir o desalinhamento que está ocorrendo.
“O que estamos construindo aqui é algo histórico e repito que o ciclo de promessas acabou. Vamos olhar para frente e construir juntos a solução. Temos um pacote de coisas grandes para o Estado do Pará e para Marabá, que vai atender muitas demandas”, discorreu.

As partes acordaram que a próxima reunião vai ocorrer no dia 1º de dezembro deste ano, às 16 horas, quando a Vale vai apresentar resposta a cada uma das demandas apresentadas.

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